“Blefes”

Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo.
Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do “poker face”, a cara de quem consegue apostar tendo um “Royal Street Flush” ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando lá dentro.

Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tic na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro. Não se trata de adivinhar seu caráter. Não é uma questão de caráter.

O blefe é um lance tão legítimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores, pois só quem não tem culpa pode sustentar um “poker face” perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supera ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento.”

Luis Fernando Veríssimo – mestre da crônica e do humor –  O trecho foi extraído do conto “Blefes”, no livro “As mentiras que os homens contam”.

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